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Boi que engorda mais rápido dá lucro a pecuaristas pelo Brasil
Segunda-feira, 18 de Janeiro

Gado da raça nelore criado no Polo de Pesquisa Alta Mogiana, em Colina, SP

O lucro que o pecuarista Alaor Ávila Filho tira de cada hectare de sua fazenda em Goiás aumentou dez vezes.

O segredo, diz Ávila, 44, é o boi 777 —um sistema de produção que reduz de três para dois anos o tempo em que o gado fica pronto para o abate.

Desenvolvido pela Apta (agência de tecnologia dos agronegócios da Secretaria de Agricultura paulista), o sistema já é adotado hoje em oito Estados e se baseia em uma combinação de genética, nutrição e pasto.

O nome é boi 777 porque o ciclo até o abate é dividido em três etapas nas quais, em cada uma, o animal ganha sete arrobas (105 quilos) de peso de carcaça (carne e ossos).

A média nacional de produção de gado é de 4 arrobas por hectare/ano, enquanto no novo sistema chega a 20.

PRODUTO GOURMET

Os bezerros já nascem com perspectiva de bom desenvolvimento, pois foram gerados a partir de vacas de procedência, também suplementadas.

Ao longo do desenvolvimento, o animal recebe doses crescentes de suplementos, como zinco, potássio e fósforo. Segundo pesquisadores, os elementos melhoram a saúde bovina e não afetam a carne. “Nada usado é diferente de um processo mais tardio”, diz Fernando Garcia, do departamento de apoio à produção e saúde animal da faculdade de veterinária da Unesp de Araçatuba.

O resultado do processo é uma carne mais macia, saborosa e de cor mais clara, já que o boi é abatido mais cedo. O destino são frigoríficos que abastecem açougues gourmet, restaurantes finos e o mercado internacional.

A engorda precoce tem feito com que os abatedouros incentivem a sua adoção.

Gerente de compra do frigorífico Minerva, Fabiano Tito Rosa diz que a empresa adota, há um ano, um programa de orientação, assistência e adiantamento de recursos para pecuaristas produzirem animais nos moldes do 777. O projeto é desenvolvido em parceria com a Apta.

“Alguns mercados exigem animais jovens, por questão de qualidade e protocolo contra a vaca louca. Preciso de animal de carne com pH baixo, que não escurece e não endurece”, diz ele.

Segundo Rosa, 40 pecuaristas, com 15 mil cabeças de gado, já fazem parte do programa. O frigorífico exporta 75% de sua produção.

O Brasil que dá Certo – Centro-Oeste
 



“Até 30 anos atrás, a terra era barata. Comprava e jogava o animal lá. Era um salve-se quem puder. O 777 me permitiu ser competitivo com atividades como cana e soja”, disse Ávila Filho, dono da fazenda Panorâmica do Turvo, em Indiara (GO), que adotou o sistema em 2013.
Seu lucro líquido por hectare atingiu R$ 2.272 no período 2014/15, ou 11,3% do valor do hectare de terra na região. Segundo o fazendeiro, cuja produção é certificada para exportação, no sistema tradicional o lucro seria de R$ 200.

Fora os custos de manutenção da propriedade, a estimativa de produtores é que o gasto até o animal ser abatido chegue a R$ 2.500 no sistema 777, ante os até R$ 600 da produção convencional.

Segundo a Apta, o custo maior não torna o sistema inacessível a pequenos produtores. A agência atende até a pecuaristas que abatem 30 animais por ano.A rentabilidade, no entanto, compensa, diz Ávila.

Por ser um órgão público, ele fornece informações sem custo e agenda visitas assistidas. Ao longo deste ano, deve oferecer também cursos.

Desenvolvido desde 2008, o método 777 também traz vantagens ao ambiente, porque reduz o ciclo de vida do gado no pasto, afirma o pesquisador Flavio Dutra de Resende, da Apta.

Coordenador de pecuária da Agroconsult, Maurício Palma Nogueira diz que o sistema está se difundindo num momento propício, já que o lucro dos pecuaristas tem caído nos últimos 20 anos.

“Na década de 1980, compravam-se até quatro bezerros com o dinheiro de um boi. Agora, dá no máximo dois.”

O veterinário Hyberville Neto, da Scot Consultoria, diz que o “novo” boi precisa de investimentos adicionais, “mas o sistema torna mais eficientes recursos como terra e mão de obra. Gera mais gado, usa melhor o curral e reduz a depreciação”.

Fonte: Pierre Duarte/Folhapress


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