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Boi Gordo: MT registra menor número de abate dos últimos nove anos
Terça-feira, 16 de Maio

Com a operação, o estado totalizou 283,3 mil cabeças no período, um recuo de 29% em relação ao registrado em abril de 2016, de 397,49 mil animais

A Operação Carne Fraca reduziu em quase um terço os abates de bovinos em Mato Grosso no mês de abril. Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a operação totalizou 283,3 mil cabeças no período, um recuo de 29% em relação ao registrado em abril de 2016, de 397,49 mil animais. Este foi o menor volume registrado desde dezembro de 2008. Em relatório, os pesquisadores do Imea afirmam que esta queda já era esperada.

Na sequência da investigação da PF, diversos frigoríficos suspenderam os abates temporariamente em Mato Grosso. O Imea ressalta que nenhuma unidade do Estado esteve diretamente envolvida nas investigações, mas que "no mínimo sete frigoríficos do Estado" deram férias coletivas aos seus funcionários, obtendo assim tempo suficiente para os estoques se ajustarem.

O Imea afirma ainda que para maio o cenário é de recuperação dos abates e também das exportações, com os efeitos da investigação já mitigados e com o aumento sazonal da oferta de fêmeas durante o período de safra.

 Exportação

Os frigoríficos paulistas deixaram de exportar US$ 12,78 milhões após a Operação Carne Fraca, afirma a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, baseada em estudo do Instituto de Economia Agrícola (IEA).

Os pesquisadores Celso Vegro e José Alberto Angelo afirmam que a investigação gerou um "custo da precipitação" para as empresas, que seria justamente este valor "perdido" com as exportações. Eles apontam que os embarques de carnes por São Paulo já registravam um declínio no primeiro bimestre deste ano, na comparação com o ano passado, mas que a operação "aprofundou essa tendência".

De acordo com a pesquisa, as exportações paulistas de carnes in natura e industrializadas, no primeiro bimestre de 2017, recuaram 9,25%, para US$ 270,339 milhões frente a igual período do ano anterior (US$ 297,895 milhões). Já em março, a proporção da queda na comparação anual foi acentuada e o Estado embarcou US$ 149,174 milhões, 16,41% a menos do que março de 2016 (US$ 178,459 milhões).

"Adotando hipótese plausível de que os 9,25% de redução nos embarques paulistas do primeiro bimestre do ano se mantivessem sobre março de 2017, o montante apurado pelo segmento alcançaria aproximadamente US$ 162 milhões", afirmam os pesquisadores. "Entretanto, o saldo cambial efetivo obtido no mês de US$ 149,17 milhões revelou o 'custo da precipitação' por parte da Polícia Federal para os frigoríficos paulistas, estimado, assim, em US$ 12,78 milhões", concluem.

Vegro e Angelo ponderam que a análise não considerou as imediatas repercussões da operação policial em âmbito do mercado interno. "Levantamento estatístico com 1.067 paulistanos revelou que um em cada três consumidores diminuiu o consumo de carnes após a operação da Polícia Federal", afirmam.

Eles citam ainda que os principais grupos econômicos vinculados ao segmento perderam valor de mercado e que, portanto, o custo foi muito maior do que o mensurado quando apenas se contabilizam as exportações, particularmente, as paulistas. "A recuperação da demanda no mercado das carnes exigirá empenho e harmonização eficaz entre as esferas pública e privada, restabelecendo em patamar saudável a regulação do segmento", comentam os pesquisadores. 

Fonte: Estadão Conteúdo


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